sábado, 7 de maio de 2011

Os primeiros missionários cristãos.


John Leonard Dober e David Nitschman são nomes que você talvez não reconheça imediatamente.
John era artesão e David um carpinteiro.
Ocupações comuns para homens extraordinários.
Ambos eram pastores da igreja reformista da Morávia (hoje República Tcheca), a Igreja Moraviana. John Leonard Dober e David Nitschman são heróis esquecidos.
Bem, quase esquecidos. Suas palavras finais antes de partir em sua missão são a letra de uma linda música recente de Cindy Ruakere; “Receive” (Que o Cordeiro Receba).
Eles eram da Igreja cristã Moraviana, o primeiro movimento cristão reformista carismático fundado em 1457 na região da Boêmia, que hoje é a República Tcheca e que se originou da pregação de Jan Hus.


Jan Hus era um padre e pensador tcheco, professor universitário de artes e teologia, e reitor da Universidade de Praga.
Hus iniciou um movimento reformista cristão baseado nas ideias de John Wycliffe.
Por suas idéias, Hus foi preso e queimado vivo na cidade de Constança (Konstanz, Alemanha) em 6 de julho de 1415.
A tradição conta que Hus mencionou a seguinte frase aos seus executores, antes de ser queimado: “Vocês estão hoje queimando um ganso(Hus significa “ganso” em tcheco) mas em um século, vocês encontrarão um cisne. E esse cisne vocês não conseguirão queimar”.
Esse cisne foi o cristão alemão Martinho Lutero, que 102 anos depois de Hus publicou suas 95 teses em Wittemberg.
O próprio Lutero escreveu o prefácio do livro de Jan Hus “Cartas de Jan Hus Escritas Durante seu Exílio e Prisão”.
É por causa dessa frase de Jan Hus que o símbolo de Lutero é um cisne.

De volta aos missionários da Igreja Moraviana: John Leonard Dober e David Nitschman ambos nasceram na Morávia que hoje é parte da República Tcheca.
David nasceu em 18 de Dezembro de 1695 na cidade de Suchdol nad Odrou.
Tanto David quanto John Leonard sentiram a necessidade de levar a palavra de Deus a outros continentes.
A nacionalidade do rebanho pouco importa para Cristo! Mas para fins históricos, fica o registro de que Dober e Nitschmann eram tchecos e não alemães.
É que entre 1520 e 1918, o reino tcheco estava ocupado pelos austríacos, de fala alemã.
Portando a igreja Moraviana criada no reino tcheco, fruto da obra de Jan Hus, estava em território austríaco.
Quando os missionários moravianos sairam pelo mundo, eram considerados austríacos.
E como falavam alemão (bem mais fácil de entender do que o tcheco materno!) então…todo mundo pensava que eram austríacos ou alemães.
Mas o próprio nome de sua comunidade, moravianos, mostra claramente que se tratava de tchecos.

David Nitschmann e John Leonard escreveram a um fazendeiro britânico, que também era governador das Ilhas Virgens Britânicas (no Caribe),e pediram sua permissão para evangelizar os escravos negros que trabalhavam em suas terras.
Esse fazendeiro era ateu e respondeu a John e David: “Jamais permitirei qualquer pregação religiosa em minhas terras”.
David and John então propuseram ao fazendeiro que eles queriam se vender como escravos para ele.
Se ele aceitasse, que então comprasse os dois. O senhor de terras aceitou.
Com o dinheiro pago pela venda de sua liberdade, David e John Leonard compraram as passagens de navio até as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe.
Eles deixaram a segurança de suas casas e famílias e embarcaram no porto de Copenhague para se tornarem os dois primeiros missionários da Igreja Moraviana em 1732.
Quando o navio partia do cais, a esposa e filhos de David Nitschmann imploraram no porto para que eles desistissem, e ficassem em casa.
Mas o chamado e o coração de Deus para esses agora escravos nas Índias Ocidentais (Caribe) foi ainda maior que o chamado de casa.
Enquanto o navio saía das docas os dois gritaram do navio: “Que o Cordeiro que foi morto receba a recompensa por Seu sofrimento.”
Esse grito se tornou o lema do movimento das missões da Igreja Moraviana.
Os dois sentiram que seu sacrifício era minúsculo em comparação ao sacrifício de seu Salvador.
Eles amavam Jesus com tudo o que podiam, e queriam andar em obediência,
sabendo que o Deus que lhes chamava é o Deus que dá coragem, graça e a benção para a tarefa.
Eles experimentaram e modelaram a verdade expressa por Paulo em Filipenses 4:13 “Eu posso fazer tudo através de Cristo, que me dá forças.”
Esses dois homens criaram um movimento missionário, não com conversas vazias, mas ao viver segundo a mensagem do Cristo.
Eles viveram o “Vá e evangelize”, ordem principal de Jesus para todos nós seus seguidores.
John Leonard Dober e David Nitschman inspiraram sua geração e as gerações futuras a dar suas vidas pelo Cordeiro.

Como se descobriu, nenhum dos dois teve de se vender à escravidão. O inglês Governador da ilha não permitiu isso.
Sua atitude com os escravos negros era tal que ele jamais permitiria um branco ser escravizado junto dos discriminados negros.
Os missionários chegaram em Saint Thomas, capital das Ilhas Virgens Britânicas, em dezembro de 1732.
Primeiro David Nitschmann sustentou os dois trabalhando como carpinteiro, mas ele só viveu em Saint Thomas por quatro meses e depois partiu para a
América do Norte. Dober tentou viver com o artesanato, mas não havia barro bom para fabricar vasilhames.
Ele conseguiu, no entanto, um trabalho como gerente da mansão do Governador, e depois como vigia, o que o permitiu viver junto dos escravos para
evangelizá-los.
Em 1734, um grupo de 18 missionários chegou para ajudar e divulgar o trabalho missionário nas ilhas vizinhas de Santa Cruz, São João e outras.
Não foram férias no Caribe.
Hoje o Caribe é um destino turístico famoso e com muita infraestrutura.
Na época dos missionários da Igreja Moraviana David Nitschman e John Leonard Dober as condições de vida eram difíceis, e muitos deles morreram.
De fato, missionários Morávios partindo da Europa para missões no Caribe sempre levavam duas coisas com eles: uma Bíblia, e sua própria lápide mortuária
para seu enterro.
Isso por que não há pedras nessa ilha do Caribe.
E os missionários sabiam que a maioria deles jamais voltaria para casa com vida devido às duras condições de vida.
Ainda assim, os missionários morávios foram em grande número! Que exemplo de dedicação ao trabalho de Deus!

Dober voltou à Europa como parte da chefia administrativa da Igreja Moraviana.
Nitschmann retornou à Hernhutt, na Alemanha, para a felicidade de sua esposa e filhos.
Como o apóstolo Paulo já dizia: ser missionário é ser um verdadeiro “louco de Deus”.

Fonte: Times de Cristo / Website da Igreja Moraviana
Postado por: Felipe Pinheiro
Via: www.guiame.com.br

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