segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vento em Mim


Por Felipe valente



De onde vem? Onde sopra? Pra onde vai?...

Você faz o que quer, não me deve satisfações e nem se sente culpado em me ver sofrer. Não tem medo de perder meu amor porque não é inseguro, não sofre de carência afetiva e muito menos espera de mim algo que eu não possa dar. Por isso:

Obrigado por me levar a lugares que eu não entendo o motivo de minha presença.
Obrigado por me fazer escrever o que serve em primeiro lugar para mim.
Obrigado por não me fazer conhecer seus caminhos, pois se o soubesse ficaria imbecilizado pelo "orgulho da revelação".
Obrigado por me usar e não permitir que eu veja todos os frutos.
Obrigado por me jogar no chão quando a altivez não me deixou ver QUEM me sustenta.
Na mesma proporção, obrigado por me elevar quando me esmagaram.
Obrigado por desmascarar minha estupidez.
Obrigado por controlar o ímpeto malígno que as vezes toma conta de mim.
Obrigado por purificar minha vida e usar minhas dores como "fogo refinador".
Obrigado por revelar, de maneira personalíssima, sua vontade.
Obrigado por me dar limitações, pois aprendo com elas.
Obrigado por me fazer ver que tem gente melhor e mais talentosa que eu.
Obrigado por me fazer acreditar que como ser humano (filho) sou insubstituível, embora minha função e ministério podem, e devem, ser substituídos por outras pessoas.
Obrigado por me dar o que não mereço.
Enfim, obrigado por não permitir que eu controle minha vida e ministério.

Obrigado!

De seu filho...

Obrigada Senhor! 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Dever de Servir



Esses dias li a carta de Paulo a Filemon e gostaria de compartilhar com vocês um pouco do que o Espirito trouxe ao meu coração.
Filemon era um cristão dono de muitos escravos, da cidade de Colossos ( Cl 4.1;Ef 6.5).
Ele era senhor de Onésimo, um escravo que havia fugido, e que agora tinha recebido ao Senhor como se único e suficiente Salvador.
Onésimo conheceu apóstolo Paulo e os dois se tornaram amigos e irmãos em Cristo.
Como Cristão, Onésimo desejava cumprir com suas obrigações espirituais, morais e sociais a fim de proclamar as verdades do evangelho com um bom testemunho. Então Paulo afim de ajudar seu irmão em Cristo, escreve uma carta a Filemon seu patrão, para interceder pela vida de Onésimo pedindo para que ele o aceitasse de volta apesar do prejuízo que provavelmente tinha lhe causado. Sabendo que agora ele não seria apenas um escravo mas um servo que iria cooperar com alegria para o louvor do nome do Senhor Jesus (Cl 3.11).
Então, comecei a pensar sobre o nosso dever de SERVIR.
Onésimo no grego significa "ÚTIL". Ali estava um homem que tinha o ministério de servir, acontece, que ele fugiu, e durante essa fuga ele teve um encontro com o Senhor Jesus. Depois de sua conversão, ele decide então, para o seu senhor, voltando ao centro da vontade de Deus para sua vida.
Ser escravo é diferente de ser servo. O escravo faz por obrigação e o servo por amor. Onésimo não ia deixar de ser escravo pela rei romana, mas agora ele ia voltar com o pensamento de servir melhor ao seu senhor (patrão) Filemon, e o nome do Senhor Jesus seria exaltado na vida dele.
Quando somos restaurados, transformados ou nascemos de novo, podemos cumprir nosso chamado para a salvação e também o nosso dever de crente salvo. Tudo quanto recebemos da parte de Deus, tem como objetivo principal abençoar de alguma forma aqueles que nos rodeiam.
Não pense que os dons dado por Deus a cada um de nós tem como benefício nossa própria vida e ou benefícios pessoais ou particulares. O alvo é sempre glorificar o bendito nome de Jesus e abençoar outras pessoas (Mt.25.14).
Você pode pensar mas eu não tenho nenhum dom, mas com certeza você sabe, você pode, dá um copo de água aquele que está com sede. Por que até mesmo esses pequenos gestos terá uma recompensa no céu para aqueles que o fizerem. "Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus o qual, plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, mas pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo assumindo a forma de SERVO e tornando-se semelhante aos seres humanos..." (Fl 2.5-7; grifo meu)
Imagine o que diz o texto acima. Jesus sendo Deus, se esvaziou assumindo a posição de servo. Observe, Ele assumiu ser servo.
Se você um dia desejar alguma posição de liderança em primeiro lugar, seja servo. Se você não tiver a humildade de servir, jamais chegará a algum lugar de uma forma decente e verdadeira. Porque até existe aqueles que chegam, mas não permanecem.
Imagine a cena: Jesus, levantando-se da mesa, derramando água em uma bacia  e lavando os pés dos discípulos. "Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também também lavar os pés uns dos outros..." (João 13.13-17)
Ele nos deixou o exemplo.
Eu já fugi tantas vezes... mas como Onésimo quero voltar, dessa vez, não como um escravo que faz as coisas por obrigação, mas como servo que reconhece seu chamado e aceita seu legado de ser útil nas mãos do Senhor e assim abençoar de alguma forma aqueles que me cercam.
Que o Espírito Santo nos ajude e interceda junto ao Pai por nós, assim como Paulo intercedeu por Onésimo diante de Filemon.

Até.

Eu =)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

EU SEI, MAS NÃO DEVIA!

Por: Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09

Fonte:http://ulissesjulianorascunhos.blogspot.com/